terça-feira, 27 de abril de 2010

Psicanálise e neurociência

(Evolucionismo numa abordagem á luz dos relacionamentos amorosos.)

Por que o processo evolucionário agiu diferente sobre a espécie humana?

Por que os mecanismos evolutivos não deram saltos importantes como fazer um ser vegetal tornar-se um ser locomotor? Ou ainda, evoluir um mamífero sem auto-crítica para uma forma de "mamífero sapiens sapiens"? Por que acreditamos que isso ocorreu apenas com o homem? E mais, a consciência já foi contemplada com uma definição baseada na análise evolucionista?

Inegável fato é, que o homem possui habilidades oriundas da consciência sobre si mesmo e sobre o meio onde vive e de suas relações com outros homens dentro deste meio. E que esta característica é algo discriminado em relação aos outros animais.

Mas isto é suficiente para afirmar que o ser humano é um ser superior?

Pode nossa superioridade ser considerada como fato consumado, se nem ao menos sabemos quais os mecanismos que nos levaram a tal superioridade?

Nem ao menos podemos comprovar isso científicamente numa análise cosmológica!

Somos ignorantes a respeito dos fatores que determinaram nossa suposta superioridade em relação aos outros seres vivos.

Nossas ferramentas evolutivas como a linguagem escrita e falada, nossa habilidade de construir objetos, aparelhos, ferramentas, enfim... são apenas uma parte do aparato de sobrevivência para protegermo-nos mais de nós mesmos do que dos outros animais.

Qual a vantagem da hegemonia da sabedoria se para o mais importante para nossa sobrevivência, que é o amor, não somos inteligentes nem capazes?

O mundo anda tão veloz... que desaprendemos a suportar a solidão... quando crianças estávamos sempre com algo para fazer e quando enfim crescemos e nos deparamos com o "nada para fazer", nos tornamos depressivos. Se encontramos algo para fazer, isso é simplesmente uma defesa da solidão e da depressão e nos tornamos ansiosos.

Cansei de amar... cansei de amar pessoas que não vivem, que tem medo e por esse instinto de sobrevivência superior que temos, acabam por desenvolver fortíssimos mecanismos de defesa emocionais e psicológicos idiossincraticamente elaborados.

Nunca se alcançará verdadeiramente o coração de uma mulher?

Será preciso sempre atravessar mais uma parede? Furar mais bloqueios?


Está cada vez mais difícil o acesso ao coração das pessoas. Agora essa de relacionamento virtual! Não olhamos mais nos olhos das pessoas. Paramos de observar as pessoas.

Evoluímos? Voltamos a ser nômades... só que agora em vez de abandonar territórios explorados, abandonamos corações escangalhados. Nômades nos relacionamentos.

Tudo isso para nos protegermos de nós mesmos. Não seria melhor poder confiar uns nos outros? Sermos fiéis num relacionamento, não apenas no sentido de evitar a traição sexual, mas fiéis no âmago do relacionamento? Saber que quando o outro diz que te ama, está sendo dito por uma pessoa que se conhece muito bem e quer se deixar conhecer? Não seria mais protetor saber que as pessoas não são levianas com os corações dos outros? Que não vão dar a entender uma coisa e fazer outra?

Existem pessoas que amam e se relacionam como um péssimo motorista se relaciona com o trânsito. Deixa o pisca alerta ligado sinalizando conversão para a esquerda e continua andando reto. Ou entra numa rua sem sinalizar. Como vamos saber o que o outro sente e espera de nós se não há sinais disso? Diálogo serve para isso.

É como chegar num restaurante e pedir um bife sem especificar de como gostaria, se bem ou mal passado, e mesmo assim reclamar que o bife estava ruim e dizer que o restaurante não é bom. Foi você que entrou naquele restaurante e pediu bife.

(continua amanhã...)

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