segunda-feira, 26 de abril de 2010

Estrangeiros e peregrinos.

Sábado passado, durante apresentação musical no Bourbon Ipiranga, fomos abordados por um casal desconhecido, cafonérrimo, ambos bêbados (12 canecos de chopp de 500ml cada um consumiu! - em 40 minutos!!!) e que de forma muito grosseira pediam - em tom agressivo - que a banda tocasse músicas cantadas em português, MPB, enfim...

Esta abordagem se deu em quatro etapas: a primeira foi durante o intervalo, onde a mulher (com o olhar perdido de quem toma Aldol) falou comigo, num clima... como se eu fosse o Donald e ela o seu arquiinimigo Silva. Segundo ato: Depois o cafonão, clone do Zé do Caixão (no modo de vestir), assuntou com o Pedrão e sua namorada à mesa durante o jantar. Num terceiro momento, o homem estala os dedos e faz "psiu!" - várias vezes! - após a primeira música do segundo bloco do show e pergunta: "Tu não é brasileiro!? Tu não é brasileiro!?" - Como o anicéfalo dirigia-se à mim, virei-me sorridente e esforçando-me para ser simpático, respondi: "Sou sim... eu sou brasileiro." O energúmeno continua: "Tu não é brasileiro!?" - ao que respondi: "Eu sou brasileiro! Eu não sou é xenófobo!"

Desci do palco para a cantora Lin, fazer seu número em "brasileiro" - que o sábio Luiz Leão escolheu a dedo para tocar para os cafonas - "Matriz e filial" (Hahahaha! Que sutileza! Gênio!); e foi neste momento que o imbecilóide histriônico e sua companheira cabeça de mamute me agarraram pelo braço (sem a menor noção do perigo que corriam pois eu estava prestes a perder a postura! Olha a faca! Olha a faca!) e começaram a argumentar colóquios infundados aos quais respondi que o diferencial do trabalho da banda era a música internacional bem executada e sem "enrolation"! E que se eles querem tanto assim curtir MPB (provavelmente recalcados por não entenderem inglês) que fossem para os barzinhos da cidade que estão cheios de MPB.

Permaneceram por mais uns 15 minutos até eu subir ao palco novamente - quase tendo uma diarréia de tanta raiva - e se foram para alívio de muitos no local.

E isto me fez pensar sobre xenofobia, do grego, xenos = estrangeiro, fobia = aversão forte, pânico aversivo. Ou seja: pânico aversivo de estrangeirismos. O que pode ser entendido como uma manifestação anti-imperialista-cultural-americana. Essas pessoas devem comprar "mouse" para o computador chamando-o de "rato". Ao trocar os pneus do carro pedem por "Pedra de fogo" (Firestone) e por aí vai...

Na Argentina, vi um LP do Led Zeppelin numa loja de discos, em que "Black Dog", a primeira faixa do lado A, na capa lia-se "Perro Negro" Poxa... aí já é demais!!!

A Bíblia possui muitas referências aos estrangeiros, pois os hebreus tinham muitas leis de proteção social aos mais fracos, como as viúvas e os estrangeiros e peregrinos entre o seu povo. Mas no Antigo Testamento alguns séculos antes de Cristo em Levítico 25:23 diz: "Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha(diz o Senhor); e vós sois para mim, estrangeiros e peregrinos." Vemos aqui que para a natureza divina somos como estrangeiros, como peregrinos. Somos frágeis, alheios a Deus.

Mas o amor de Deus por nós, trouxe por meio do sacrifício de Jesus na cruz, a de volta a conexão do homem com seu Criador, perdida por nós no Éden. Veja o que diz em Efésios 2:19, no Novo Testamento, escrito por Paulo uns 100 anos depois de Cristo: "Já não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus."

No céu... quando todos habitarmos unidos com Cristo, não haverá língua, nação, cultura, nada de estranho... ainda que exista a diversidade... o amor será supremo.

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